terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Estômago de político

Gastroenterologistas, regozijai-vos! Acabou a Copa,

começam as eleições. E o caminho de um político para
ser eleito passa necessariamente pelos caminhos do
intestino – nem sempre tão delgados.

Buchada de bode, churrasquinho de gato,
rabada...político que quer ser eleito não dispensa um
prato, por mais assustador e estranho que lhe pareça.
O mais interessante, no entanto, é que após certo
tempo de campanha essa turma começa a adquirir aquilo
que é conhecido como “Imunidade anti-provadinha (I.A.P.)”, que
nada mais é do que a resistência criada pelo organismo para que o heróico candidato não sucumba ante os inevitáveis convites de possíveis eleitores do tipo: “Dá uma provadinha, foi minha mãe que fez”.

Uma provadinha aqui, outra ali, e muito candidato não consegue chegar sequer ao primeiro turno. Mas isso é só no início. Com o tempo e a inevitável experiência que ele traz, problemas como diarréia, azia e vômito passam a ser coisa do passado. Geralmente na terceira eleição (alguns mais resistentes já conseguem na segunda) o candidato adquire a I.A.P. E de tão resistente que ela é, o candidato pode se aventurar até numa comida mal cozida ou fora de validade, como é comum acontecer nas campanhas.

O grande problema é quando o candidato ganha uma eleição, pois ele passa a comer “do bom e do melhor” e pode fazer aquilo que seria impensável na campanha: recursar uma provadinha. Se ele conseguir ser eleito mais de uma vez, tudo bem. Caso contrário, ocorre aquilo que os especialistas chamam de Síndrome da Abstinência das Provadinhas. Após quatro anos de mandato comendo bem, a imunidade perde a força e se o político não for reeleito e tiver de iniciar uma nova campanha nas ruas, os efeitos serão devastadores.

O ideal é o candidato, quando eleito, não se esquecer dos eleitores e de vez em quando dar um pulinho nas ruas para provar uma deliciosa dobradinha, uma suculenta moela ou então aquela feijoada repleta de torresminhos. “Receita da vovó, doutor, pode provar sem medo!”